
O final ou o propósito de Deus é sempre bondoso. Ele sempre planeja o bem. Porém as suas criaturas têm se mostrado egocêntricas, e seus planos são freqüentemente diretamente opostos aos propósitos de Deus, mesmo tratando-se dos mesmos eventos.
Temos visto que Deus é bondoso. Esta é a doutrina tanto da razão como da revelação. A razão intuitivamente afirma que Deus existe, e que Ele é perfeito. A Bíblia assume que Ele existe e é perfeito. A bondade, deve obrigatoriamente ser atributo do Deus infinito e perfeito. Este atributo adentra o pensamento racional de Deus. A razão não poderia reconhecer algum ser como sendo Deus, se não fosse o dono desse atributo. Porém se a infinita bondade é atributo moral de Deus, segue-se, certamente, que todos os seus desígnios ou propósitos são perfeitamente bondosos. Deus escolheu o melhor final possível, e o persegue na utilização dos melhores meios praticáveis. Os seus propósitos abrangem tanto o final, como os meios necessários para assegurá-lo, juntamente com a melhor maneira de retirar o pecado, que é o resultado incidental por Deus ter escolhido este final, utilizando, os meios escolhidos por Ele. E estes meios não se estendem; eles são todos, portanto, perfeitamente bons.
Deus está, de acordo com a sua natureza, disposto a agir com grande generosidade para com a sua criação. Essa faceta da natureza divina é manifestada na sua disposição de prover todas as nossas necessidades, quer materiais (a chuva e as colheitas, At 14.17), quer espirituais (a alegria, At 14.17; a sabedoria, Tg 1.5).
Definições
- Bondade: É uma concepção genérica incluindo diversas variedades que se distinguem de acordo com os seus objetos. Bondade é perfeição absoluta e felicidade perfeita em Si mesmo (Mc 10.18; Lc 18.18,19; Sl 33.5; Sl 119.68; Sl 107.8; Na 1.7). A bondade implica na disposição de transmitir felicidade.
- Benevolência: É a bondade de Deus para com Suas criaturas em geral. É a perfeição de Deus que O leva a tratar benévola e generosamente todas as Suas criaturas (Sl 145.9,15,16; Sl 36.6, 104.21; Mt 5.45, 6.26; Lc 6.35; At 14.17). Thiessen define benevolência como a afeição que Deus sente e manifesta para com Suas criaturas sensíveis e racionais. Ela resulta do fato de que a criatura é obra Sua; Ele não pode odiar qualquer coisa que tenha feito (Jó 14.15) mas apenas àquilo que foi acrescentado à Sua obra, que é o pecado (Ec 7.29).
- Beneficência: Enquanto que a benevolência é a bondade de Deus considerada em sua intenção ou disposição, a beneficência é a bondade em ação, quando seus atributos são conferidos.
- Complacência: É a aprovação às boas ações ou disposições. É aquilo em Deus que aprova todas as Suas próprias perfeições como também aquilo que se conforma com Ele (Sl 35.27, 51.6; Is 42.1; Mt 3.17; Hb 13.16).
- Longanimidade, ou Paciência: O hebraico emprega a palavra erek’aph que significa “grande de rosto” e daí também “lento para a ira”. O grego emprega makrothymia que significa “ira longe”. Portanto longanimidade é o aspecto da bondade de Deus em virtude do qual Ele tolera os pecadores, a despeito de sua prolongada desobediência. A longanimidade revela-se no adiamento do merecido julgamento (Êx 34.6; Sl 86.15; Rm 2.4, 9.22; 1 Pe 3.20; 2 Pe 3.15).
- Misericórdia: Também expressa pelos sinônimos compaixão, compassividade, piedade, benignidade, clemência e generosidade. No hebraico usa-se as palavras chesed e racham e no grego eleos. É a bondade de Deus demonstrada para com os que se acham na miséria ou na desgraça, independentemente dos seus méritos (Dt 5.10; Sl 57.10, 86.5, 116.5, 136, 145.9, 143.12; 1 Cr 16.34; 2 Cr 7.6; Ed 3.11; Ez 18.23,32; Ex 33.11; Lc 6.35; Jó 6.14). A paciência difere da misericórdia apenas na consideração formal do objeto, pois a misericórdia considera a criatura como infeliz, a paciência considera a criatura como criminosa; a misericórdia tem pena do ser humano em sua infelicidade, a paciência tolera o pecado que gerou a infelicidade. A infelicidade e sofrimento deriva-se de um justo desagrado divino, portanto exercer misericórdia é o ato divino de livrar o pecador do sofrimento pelo qual ele justamente e merecidamente deveria passar, como conseqüência do desagrado divino.
- Graça: É a bondade de Deus exercida em prol da pessoa indigna. Portanto graça é o ato divino de conceder ao pecador toda a bondade de Deus a qual ele não merece receber (Ex 33.19).
Essa diferença entre misericórdia e graça é notada em relação aos anjos que não caíram. Deus nunca exerceu misericórdia para com eles, posto que jamais tiveram necessidade dela, pois não pecaram, nem ficaram debaixo dos efeitos da maldição. Todavia eles são objetos da livre e soberana graça de Deus pela qual foram eleitos (1 Tm 5.21) e preservados eternamente de pecado e colocados em posição de honra (Dn 7.10; 1 Pe 3.22).
- Amor: A perfeição da natureza divina pela qual Ele é continuamente impelido a se comunicar. É, entretanto, não apenas um impulso emocional, mas uma afeição racional e voluntária, sendo fundamentada na verdade e santidade e no exercício da livre escolha. Este amor encontra seus objetos primários nas diversas Pessoas da Trindade. Assim, o universo e o homem são desnecessários para o exercício do amor de Deus. Amor é, portanto, a perfeição de Deus pela qual Ele é movido eternamente à Sua própria comunicação. Ele ama a Si mesmo, Suas virtudes, Sua obra e Seus dons.
Conclusão
A tendência geral do homem é culpar Deus por todo o mal e sofrimento, e passar toda a responsabilidade para Ele. Nós o culpamos pelas guerras, injustiças, defeitos de nascença, tragédias pessoais, etc.
Esta questão é baseada numa falsa premissa. Deus não é bom porque eu acho que Ele é bom, ou porque eu concordo com o que Ele diz e faz. Deus é bom porque Ele diz que é!
- Deus é bom.
- O que é bom?
- Por que Ele permitiu o mal?
O homem – não Deus – é responsável pelo pecado. Por que Deus não fez o homem a fim de que ele não pecasse? Porque Deus nos fez a Sua imagem, capazes de escolher. Guerras, por exemplo, não foi iniciada por Deus, mas pelo homem (Tg 4.1). Nós “colhemos o que semeamos.” Ao mesmo tempo, Deus pode e tira o sofrimento e dor (embora não tudo). Mas nós como cristãos temos a esperança de que um dia, “Deus vai tirar toda lágrima dos [nossos] olhos; não haverá mais morte, nem sofrimento, nem choro. Não haverá mais dor, e as coisas antigas já passaram” (Ap 21